Eles recebem salários e bonificações inatingíveis para a grande maioria da sociedade brasileira. Em muitos casos, desde a adolescência, são patrocinados por grandes marcas. Ao longo da vida, acumulam patrimônio suficiente para garantir o futuro de duas a três gerações. Frequentam as redes sociais e aparentam indiferença com a opinião pública. Alcançam um status que milhares sonham e centenas alcançam. Essa é a vida, de jogador de futebol, que chega ao seleto grupo dos grandes clubes.

E não existe nenhum demérito nesse contexto. É necessário abrir mão de muitas coisas desde a infância, entre elas, o contato com as nossas “raízes”. Os conselhos e o carinho dos pais ficam na memória. As brincadeiras e discussões com os irmãos são lembranças. Os aprendizados e a camaradagem dos amigos servem de experiência de vida. Quantos não se aventuram por estados e países? Oscilam entre a dúvida e a certeza, o medo e a coragem, a tristeza e a felicidade?

Levam consigo apenas a própria história e a saudade.

Justamente, é esse “vazio” que tem sido preenchido pelo magnetismo do Grêmio FBPA. Em primeiro lugar, as nossas glórias impressionam e são admiradas pelo “mundo” do futebol. Não existe jogador que não tenha conhecimento sobre as façanhas gremistas. Oferecemos uma estrutura digna de trabalho, como sabemos, restrita a um limitado número de instituições no continente sul-americano. Costumamos protagonizar grandes jogos e disputar os maiores títulos. Somos conhecidos como “Fortes, aguerridos e bravos”.

Agora, entendo que, o que mais cativa o jogador, é o lastro de paixão do torcedor gremista. É inexplicável esse sentimento que leva milhões de torcedores a exibirem tanta devoção pelo manto azul, preto e branco. O que é esse fascínio que atrai pessoas de diferentes classes sociais para a Arena? As narrativas heroicas transmitidas de pai para filho? A emoção refletida pelos punhos cerrados, socos no ar e cantoria alucinante? A exaltação de ídolos, conquistas e da cultura gremista em cantos entoados de visitante ou local? Na boa e na ruim muito mais.

É esse ambiente que desperta e alimenta um sentimento que faz amar. Indiferente ser da casa ou de fora. Um local onde o atleta encontra serenidade, paciência e motivação para desenvolver seu futebol. Um clube que você aprende a amar. Foi isso que percebi, nas três últimas semanas, em jogadores revelados pelas categorias de base do Grêmio.

O primeiro foi Ricardinho, que protagonizou uma baita homenagem, ao seu pai e ao avô, que falecerem em função de complicações da pandemia. Para cumprir uma promessa, feita no silêncio, o jovem centroavante atravessou o campo ajoelhado, depois da primeira partida da final do Gauchão. Enxugava as lágrimas a cada metro que ficava para trás. Na cena, se percebe um sentimento de gratidão, pelos colegas e clube que o abraçaram num momento tão difícil.

O segundo foi o ponta Pepê, que decidiu voltar ao gramado, enquanto os colegas festejavam o título do Gauchão, no vestiário da Arena. Fez o que pode para aproveitar os últimos momentos no palco que o viu brilhar tantas vezes. Caminhou pelo gramado, agarrou as redes que balançou em dezenas de oportunidades e sentou junto a divisa de acrílico para relembrar momentos inesquecíveis. Será que pensou nos treinos, na convivência diária com o staff, na concentração pré-jogo e na cancha pulsando? Por fim, chorando muito, beijou o gramado, em seu último ato.

O terceiro foi Douglas Costa, que se emocionou, ao pisar no gramado da Arena. O craque entrou no estádio, olhou ao redor e mirou o céu. As lágrimas surgiram em instantes. Tudo registrado pelas lentes da Grêmio TV. Mesmo com todo o preparo, sendo uma das estrelas do futebol mundial, o ponta não segurou a emoção ao reencontrar as suas origens.

Um começando, outro saindo e outro voltando. No entanto, estes jovens atletas experimentaram algo em comum. O surgimento e fortalecimento de um sentimento que faz amar. É o mesmo carinho que eu e você sentimos por esse clube de 117 anos. Algo que governa as emoções de milhões de forma tão intensa e inexplicável. E não há nada melhor, do que ter “jogadores torcedores” no elenco. Identificados com a nossa história, cultura e ambições. Gente por quem vale a pena vibrar.

Supremacia nos Pampas

Voltamos a reafirmar a nossa supremacia no Rio Grande do Sul, ao conquistarmos de forma consecutiva, o quarto Campeonato Gaúcho. E foi em cima dos “amargos” e “arrogantes” alvi-rubros da Padre Cacique. De novo. Ganhar final sempre é bom, principalmente, quando é em cima do nosso maior rival. Mas estatísticas deixamos para os cronistas. Enquanto isso, seguimos acompanhando esta longa jornada, em busca de novas conquistas e alimentando o que nos faz diferentes: o nosso GREMISMO.

Éderson Moisés Käfer, integrante do Grêmio do Prata

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