Vou fazer uma confissão aqui. Nesse espaço nobre do Grêmio do Prata. Mas antes vou contextualizar.

Era início de 2007. Marquei minha primeira viagem ao exterior. Por questões de admiração e dinheiro, escolhi o país vizinho: Uruguai. Tinha um porém: o Grêmio se classificou para a Libertadores. Na época, a competição afunilava em junho, no meio do meu roteiro.

Pensei comigo: “Há um ano e dois meses estávamos na Batalha dos Aflitos. Não estaremos numa semifinal de Libertadores lá em junho. Calma. Relaxa. Não vou deixar de comer meu primeiro assado no Mercado del Puerto pensando nisso”.

É nessa parte que peço perdão. Sim: errei e peço escusas.

Dia 6 de junho de 2007, Santos e Grêmio faziam o jogo de volta da semifinal na Vila Belmiro. Eu estava dentro de um ônibus indo para uma excursão em Montevidéu. Sinal do rádio falhando, não tinha os aplicativos de hoje. Diego Souza (sim, ele) abre o placar. Alívio? Por pouco tempo. Santos empata. Sinal do rádio falha novamente. Vai, volta.

Santos virou. Santos ampliou. Zé Roberto. Entra um jovem impetuoso: Mestre Jonas. Na época, apenas Jonas. Praga de time. Luxemburgo no comando. Na primeira fase: 18 pontos em 6 jogos. Invicto na competição.

Eu tremia. O sinal do rádio também. A vantagem de 2 a 0 no Olímpico se esvaia. O ônibus encosta para um lanche no município de Cristal. Nesses momentos a gente entende o que é o Grêmio. Era a geral do Olímpico dentro de um restaurante, diante de uma TV. Camisas, bandeiras, cantos. Estava em casa novamente. Veio o apito final e todos pareciam velhos amigos, abraço, comemoração. Estávamos dentro. Classificados. Festa em Porto Alegre, em Cristal, em Montevidéu. Era nós.

Treze anos depois, o reencontro das equipes nas quartas de final. Cada clube com uma Libertadores a mais. Seis copas em campo. Às 19h15 na Arena. Dessa vez não viajei. Estarei em Porto Alegre, mas afastado da cancha por uma pandemia. Mas essa história contarei daqui uns anos.

Romeu Finato, integrante do Grêmio do Prata.

@romeufinato

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