Chegamos ao terceiro texto que trata da Reestruturação do Departamento de Futebol do Grêmio. Daquilo que pensamos como deve ser tocado o Futebol do Clube. Com conceitos bem definidos e planejamento. Neste último texto vamos tratar o que pensamos como Requisitos na formação de um time vencedor.

          Muitos Sócios e Torcedores, nós todos, invariavelmente nos queixamos de determinados atletas, seja pelo seu comportamento fora de campo, dentro de campo, questão física, aspecto técnico e/ou tático. Itens de suma importância, que muitas vezes são desprezados numa contratação. Essa falta de cuidado tem como consequência o que vemos claramente acontecer hoje no Grêmio: Contratações descriteriosas com grande oneração dos cofres do clube e sem resultado satisfatório na montagem do time, quiçá um plantel. Por isso, trouxemos o debate a tona.

          Aqui vão algumas ideias gerais que achamos fundamentais para montar uma grande equipe de futebol, para ser vencedora nos campeonatos que disputar, tanto em âmbito Nacional como Mundial.

          Uma das grandes preocupações é com a identidade Grêmio que se perdeu ao longo dos anos, um futebol notadamente marcado pela força, imposição física, forte marcação, de grande velocidade e alta competitividade que levou o clube as grandes conquistas em sua história. Este exercício conceitual do estilo de jogo, com a identificação das principais características das posições de uma equipe, tendo como referência a história do Grêmio e seus grandes times vencedores, preconiza estabelecer diretrizes no plano do futebol a serem seguidas pelas administrações que se sucederem. Dessa forma obtendo a continuidade de trabalho tão desejada e atualmente rompida na troca de comando do Clube.

          Apesar do alto nível de profissionalização dos atletas que estão no mercado futebolístico atualmente, achamos que ainda é possível encontrar, pelo menos alguns, que se identifiquem com o Clube no qual estão defendendo.

          Obviamente, que essa característica do atleta só pode ser identificada após a sua contratação e conseqüente comportamento dentro e fora do campo. Quando os dirigentes perceberem que um atleta não está apenas pensando no salário que recebe, mas também, em retribuir ao clube com conquista de títulos, o clube deve fazer todo o possível para manter esse atleta no elenco, desde que, é lógico, ele tenha as condições técnicas necessárias para um desempenho satisfatório.

          No mínimo 5 atletas oriundos das categorias de base, preferencialmente de origem no Rio Grande do Sul, como forma de causar maior identificação no plantel principal. É uma característica notada nos grandes times do Grêmio Campeão da Libertadores e Mundial de 83 e também do Multi Campeão time de 94 a 96. Além de uma percepção histórica, deve ser salientado que nesse modelo se privilegia o investimento nas Categorias de Base, tão importantes para a formação de atletas ao time principal como ótima fonte de recursos em vendas futuras de jogadores bem preparados, com uma taxa de investimento muito abaixo se comparado com a contratação de atletas de outros clubes, geralmente de altos valores.

          Jogadores com origem no Uruguay, Argentina, Paraguai e Chile também são muito importantes na formatação do time e composição do plantel. Geralmente são jogadores de alto comprometimento e nível profissional elevado. Há que se considerar também o fato das vantagens comparativas que a moeda brasileira apresenta em relação a esses países.

          Deve ter cerca de 3 jogadores que tenham uma certa liderança sobre os demais e que consiga não só assimilar o contexto em que a partida está sendo disputada, tanto no lado técnico como disciplinar, devido ao comportamento em campo do adversário e até do árbitro, para conversar com os companheiros, e dar-lhes alguns conselhos que julgar necessários, inclusive alguma mudança de postura, para um melhor desempenho da equipe.

          Não pode ter um jogador tecnicamente muito abaixo dos demais, pois sempre existe um risco muito alto de haver descontinuidade no desempenho dentro de campo. Ou seja, busca-se uma equipe mais homogênea tanto técnica como fisicamente. Por óbvio, não é excludente um ou mais atletas de exceção no time como fator de desequilíbrio em momentos decisivos da equipe.

          Buscar atletas que pelas suas características possam atuar no esquema de jogo aplicado no clube. Tanto pela suas características originais como pela sua capacidade de adaptação.

Antes de decidir a contratação de um jogador deve ser levado em conta alguns fatores tais como:

  • Histórico de lesões;
  • Comportamento na vida particular / vida pregressa / social;
  • Não contratar um jogador apenas pelo seu passado;
  • Se for um jogador que teve um grande início de carreira e no momento não está no país, deve ser feita, com muito critério, uma avaliação da situação atual desse jogador para saber se vale a pena a sua contratação;
  • Relação do empresário com atleta (jogador deve ser figura dominante em relação ao empresário);

          Quanto ao comando técnico, historicamente o Grêmio sempre foi um clube revelador de novos talentos gaúchos. E com esses obteve suas maiores glórias e também realizou grandes campanhas. Grandes exemplos: Oswaldo Rolla, Carlos Froner, Luiz Felipe Scolari, Valdir Espinosa, Adenor Bachi – o Tite.

          Vale ressaltar também, a extrema importância do preparo físico. É desejável um time forte e veloz. Por isso, fundamental o entrosamento e harmonia da Comissão Técnica. O pensamento deve ser convergente e jamais dissociativo.

          O exposto nestes três textos só demonstram quão importante é o trabalho do departamento de futebol, exigindo assim, pessoas capacitadas e com visão de futebol. Formar um time vencedor é muito mais que contratar 40 jogadores. Estabelecer um padrão de jogo não passa por ter 4 técnicos em 2 temporadas e meia. É preciso ter conceitos bem definidos e claros, estabelecer critérios e ter um planejamento com metas e objetivos. Respeitar a cultura e história do Grêmio que são os determinantes pela formação de nossa identidade enquanto clube e também como torcedores.

          Por fim, não há pretensão aqui de estabelecer uma verdade. Mas, realizar um debate com crítica e ao mesmo tempo construtivo. Algo tão raro em nosso Grêmio nos dias atuais. São ideias, conceitos que partem de percepções e estudos realizados por integrantes deste Movimento com o intuito único e exclusivo de contribuir para reconstrução do nosso Clube.

Rogério Fallavena / Cláudio Medeiros / Jorge Flain 

Por um Grêmio Forte, Aguerrido e Bravo

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3 respostas a “Reestruturar o Departamento de Futebol Parte 3/3”

  • Cada vez mais vejo que minhas ideias fecham com o que pensa o movimento Grêmio do Prata. Acredito de verdade que a identidade e história do Grêmio sempre tem de ser levada em conta em cada contratação que o Grêmio for fazer, o Grêmio precisa e muito de jogadores com perfil de Grêmio. Marcação forte, time veloz na transição, altamente competitivo que não desanima e não se intimida. To fechado com vocês.

    Parabéns Grêmio do Prata!

  • Infelizmente hoje o Grêmio está entregue ao acaso, repatriamos o Douglas, contrato do Kleber foi um absurdo, está voltando o tal de Edinho, o último preparador físico do Grêmio um desastre (Darlan), gurizada da base todos pensando no cabelo e na chuteira furta cor, nossos diretores nem preciso comentar pois está aí o trabalho, nosso executivo remunerado está nos principais blogs investigativos do mundo do esporte, nosso plantel de jogadores com a vida muito fácil, responsabilidade com a camiseta 0 (zero) e para completar a cereja do bolo a FALTA DE APOIO E RESPEITO COM A NOSSA TORCIDA, NÃO VEJO NINGUÉM DENTRO DO CLUBE DEFENDER A TORCIDA… NINGUÉM!!!
    NEM PRESIDENTE, NEM DIRETORES, NEM COMISSÃO TÉCNICA E NEM JOGADORES, NENHUM DE VOCÊS DEFENDE A TORCIDA, DEPOIS DA CAMISETA A TORCIDA É O MAIS SAGRADO NO FUTEBOL.

    • Esqueci de um detalhe, vocês só lembram da torcida quando estão com a corda no pescoço dentro das 4 linhas ou o dinheiro anda escasso nas contas do clube.

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