Após uma derrota de 7×1 em plena semifinal de Copa do Mundo, é muito fácil falar e pregar teorias ou teses de pós-doutorado. Sendo assim, não vou falar do jogo. Acho que não preciso explicar o que foi visto pelo Mundo inteiro. Mas me obrigo a comentar sobre o que levou o Brasil (em termos de futebol apenas) a ser protagonista do MAIOR vexame da história dessa competição.

 1) FUTEBOL BRASILEIRO

Não é de hoje que percebemos um declínio no futebol brasileiro. Contudo, é nos dias de hoje que estamos pagando a conta pelas inúmeras gestões ultrapassadas e corruptas que se apoderaram dos clubes e federações ao longo dos últimos anos. Em 2014, por exemplo, não tivemos semifinalista brasileiro na Libertadores. Em 2013, assim como em 2010, times brasileiros foram abatidos por Raja Casablanca e Mazembe, respectivamente. Os ídolos dos clubes brasileiros (raríssimas exceções) são jogadores estrangeiros e/ou veteranos. Enfim, poderia ficar até 2018 citando exemplos e causas.

O grande ponto é: o futebol brasileiro está parado no tempo! Os cartolas brasileiros estão tão ultrapassados que ainda vivem momentos gloriosos de tempos que não nos pertencem mais. O futebol evoluiu. A gestão do futebol evoluiu, se modernizou, se profissionalizou e, infelizmente, nós ficamos para trás. Estamos, no mínimo, uns 10 anos atrasados em relação a esquemas táticos e treinamentos físicos/técnicos. Futebol é trabalho. Futebol é foco. Futebol é repetição. Futebol é cidadania. Futebol é caráter. Enquanto os jogadores e cartolas levarem o futebol como diversão e como um espelho da sociedade brasileira (sem educação, sem análise autocritica, sem estudo), continuaremos na mesma crise. A diversão deve ficar apenas nas cornetas e cânticos por parte dos torcedores.

 2) BRASIL x GRÊMIO

Sou obrigado a fazer uma analogia entre Grêmio e Brasil. Não vou entrar em detalhes de identidade e esse folclore que temos no Estado. Vou analisar dentro de campo. Se perceberem, Grêmio e Brasil jogam EXATAMENTE iguais: dois pontas abertos que não preenchem na marcação sem a bola, esquema 4-3-3 com meio sem jogador de ligação e especializados (ou atacam, ou defendem, não sabem fazer ambos) e total falta de posse de bola efetiva. Exatamente a mesma concepção de jogo e exatamente os mesmos problemas.

Não sei dizer qual seria o esquema ideal. Agora, a moda será o 4-1-4-1 implementado pela Alemanha. Contudo, devemos lembrar que essa seleção possui jogadores, no meio de campo, que sabem atacar com maestria, mas também defender como guerreiros (Kross, Schweinsteiger, Müller, Özil, Götze, Khedira, Reus, etc, etc). O que eu sei é que temos que nos atualizar. O Grêmio precisa, urgentemente, de pessoas com seriedade e humildade. Professores com disposição para aprender. Professores que admitam nosso atraso e não tenham vergonha de pedir ajuda aos vizinhos argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos e europeus.

Precisamos de uma transformação, algo que pense e reflita o que o futebol atualmente pede: velocidade, força e resistência física, posse de bola efetiva e, principalmente, muita coletividade em vez de lampejos individuais. Para mim, ontem foi a comprovação do óbito do “pensamento mágico”. Não quero mais me agarrar ao passado. Os bons momentos devem ser relembrados, apenas, nas conversas de mesa de bar.

Muito obrigado por tudo que fizeram ao futebol e aos torcedores Gremistas, senhores, mas chegou o momento da verdadeira renovação. Eu e tantos outros Gremistas/brasileiros queremos (e devemos!) escrever novos capítulos.

Luciano Müller
@lucianosmuller

Cadastre-se para receber nossas atualizações

Não se preocupe, não enviaremos spam

9 respostas a “Realidade”

  • Excelente texto!

    Vamos pensar futebol como deve ser. Sem folclore, sem achismos, sem improvisos.

    Futebol é planejamento, profissionalismo, competência.

    O Grêmio precisa de uma identidade. O time atual não é técnico, não é futebol força, não é veloz…

    Essa surra que o Brasil levou, veio em boa hora. Vamos refletir, estudar e aprender.

    @denisfpalmeida

  • companheiros do prata, depois deste belo post do muller, tomo a liberdade de ampliar o debate, o futebol está inserido em uma ambiência econômica social e politica, onde a cultura a educação refletem nos costumes do povo. Portanto, vou descrever abaixo uma mensagem passada por um amigo brasileiro de origem oriental que nos faz no mínimo refletir em tudo, o diz respeito a cidadania e patriotismo e futebol.
    ” isso representa mais que um simples jogo,representa a vitória da competência sobre a malandragem; serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que para vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar, e acabar com essa história de jeitinho malandro de brasileiro, que ganha jogo com seu gingado,ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado.
    O grande legado educacional da copa, é o exemplo para gerações do futuro, que um pais é feito de uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita, por um governo que nos ensina a receber o alimento de graça e não a lutar para obtê-lo.
    A Alemanha ganhou com maestria e merecimento, que nos sirva de lição, Patria Amada Brasil, que tem que ser amada e venerada todos os dias não só em dia de jogo, no nosso trabalho no nosso estudo, na nossa honestidade.
    Demonstrar amor a Patria em um jogo de futebol, cantando hino exacerbadamente desvairadamente, e no outro dia roubar num ato de corrupção,seja ele qual for,furando uma fila sonegando imposto,matando roubando, que amor a patria é esse, já chega!!! o povo cansou foi iludido acreditou porque fizeram a lavagem cerebral que só um resultado era adequado quando a vida nos ensina que sempre há percalços e nem tudo é como a gente quer, cansou; que amor á patria é esse, que sirva de lição para que nos agigantemos para construir um país melhor, para que a nova geração seja uma geração com vergonha na cara, uma verdadeira nação se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol.”

    Seguimos em frente que a vida continua e que os pró-homens do saibam tirar lição do acontecido e que iniciamos as mudanças de paradigma, que o prata se propõe a patrocinar dentro do clube
    SALVE GREMIO SALVE GREMIO
    Cesar Rotta

  • O futebol está enviando sinais, temos que interpretar e elaborar um plano de ação.
    Futebol é o clube, a seleção, a torcida, o sentimento e a paixão.
    Futebol não é lugar de arrogância… é lugar de humildade.

  • Esta é uma discussão que diz respeito diretamente ao nosso Grêmio e o que queremos para o nosso futuro.

    Queremos um Grêmio como balcão de negócios, onde jovens promessas mal chegam a completar sua formação (quando formamos e não pegamos prontos como tem acontecido), e caem nos interesses e negócios de alguns poucos ao mesmo tempo que atendem as necessidades dos dirigentes incompetentes que não conseguem gerir as finanças do Clube??

    Ou…

    Queremos um Grêmio que tenha soberania na formação dos seus atletas e nas negociações, dessa forma podendo formar times e mesmo mantê-los por um tempo, até que formemos novos atletas em substituição aos que saem, e verdadeiramente voltemos a ser um CLUBE DE FUTEBOL, que retome assim a competitividade, com uma identidade, filosofia/conceito de futebol e nos permita dizer novamente: Sim, isso é Grêmio!!

    Está nas mãos de todos nós torcedores em nos atentarmos para os acontecimentos do clube, e não apenas mais, nos lamentarmos e achar que as coisas irão ser resolver por si, ou nos repetirmos em nossas ações achando que isso irá mudar algo.

    Acorda Grêmio!

  • Excelente texto! Infelizmente temos que inserir o nosso Grêmio nesse contexto de degradação futebolística. Não tem como separar os problemas.
    Hoje, para salvar atual gestão, estamos vivendo outra onda de contratações milionárias (seja com investidores, seja sem eles) que não suprirão todas as carências de um elenco que muda a cada semestre. E todo esse gasto terá que ser compensado com a venda de algum potencial da base. Com todas essas indefinições: como cobrar comprometimento dos jogadores? Como ter consistência tática?
    Lembro que o Grêmio do Prata, desde a sua criação ja debate a realidade do futebol e a crise de identidade que reflete dentro de campo. Outra boa leitura: http://www.gremiodoprata.com.br/?p=1756
    saudações tricolores!

      • Parabéns pelo texto Muller.

        Esses resultados trágicos nos fazem parar para refletir. E como já foi escrito nos outros textos, não temos como não colocar o Grêmio nessa discussão, e o que espero é que o torcedor entenda que nosso clube precisa de uma reformulação, a qual não irá ocorrer se ficarmos esperando…cada torcedor tem que fazer sua parte.
        O torcedor e principalmente o sócio tem a obrigação de buscar informações sobre o que está acontecendo no Grêmio e fazer sua parte.
        O Grêmio é nosso e nós temos responsabilidade com que está feito com NOSSO GRÊMIO.

  • Ecelente comentário, é hora de Dirigentes, Conselheiros e Associados se unirem e trabalharem o seu egocentrismo, ou seja, cada um pensando em si e sua paixão, quando se pensa em si mesmo, se alimenta o egoismo, quando se vive a paixão, pensa mal do outro e se esquece de si mesmo. Gente! o GRÊMIO é uma nação com milhões de apaixonados, só que os Dirigentes tem de saber disso, trabalharem com humildade um PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO para obter os resultados que esses milhões sonham. Patrimônio, infraestrutura e recursos humanos tem, o que falta então?

  • A ações da Seleção são o reflexo do Futebol Brasileiro. Infelizmente não temos dirigentes atuais no Grêmio, como em tempos anteriores que iam na maré contrária do Futebol Nacional, mostravam trabalhos inéditos, faziam tendências no País, colocando o futebol de força, garra, organização em campo. Mais uma vez, com a troca de comando na Seleção, martelamos nos mesmos erros, considerando que os problemas são rasos, e muito pelo contrário, são mais profundos, são das instituições, mas principalmente, dos que dirigem as instituições.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *