Pelo decreto assinado por José Gomes de Vasconcelos Jardim, em 12 de Novembro de 1836 foi oficialmente criado o Escudo D’Armas da República Rio-Grandense a nossa Bandeira Nacional Rio-Grandense.

Tal decreto dizia o seguinte:

O escudo d’armas do Estado Rio-Grandense será de ora em diante de forma de um quadrado dividido pelas três cores (nacionais), assim dispostas: a parte superior junto à haste verde, e formada por um triângulo isósceles, cuja hipotenusa será paralela à diagonal do quadrado; o centro escarlate, formado por um hexágono, determinado pela hipotenusa do 1º retângulo; e a de outro igual e simetricamente disposto, cor de ouro, que formará a parte inferior.

Contudo, um fato que poucas pessoas sabem, é que o Pavilhão Tricolor já havia sido confeccionado antes de 12 de Novembro de 1836. Na verdade, muito antes do glorioso 20 de Setembro de 1835, o italiano e carbonário Livio Zambeccari, havia desenhado a Bandeira Rio-Grandense em Buenos Aires. E lá mesmo, na capital hermana, foi confeccionada a primeira bandeira da futura República Rio-Grandense, Bandeira essa que alguns dias antes, 6/11/1836, havia sido desfraldada em Piratini, nossa primeira capital Farroupilha, como bem conta Alfredo Varela.

Os cidadãos do novel Estado soberano dirigem-se, numa compacta, jubilosa coluna, ao templo único de localidade, de construção ainda incompleta, vendo-se a testa de quantos ali marcham compassada, comovidamente, a imponentissima figura de Joaquim Teixeira Nunes. Major do Corpo de Lanceiros, que tivera a honrosa incumbência de conduzir o 1º vexillo do Riogrande livre. Como o arcanjo do divino Milton, da radiante haste prestes a desdobra e estende a nova insígnia: tremula altaneira ao bafejo das auras, tremula e lucila, como um meteora em fosco céu, a Bandeira Republicana.¹ Como forma de homenagear os briosos Farrapos o Piquete Grêmio do Prata confeccionou uma réplica da Bandeira Nacional que ficou hasteada durante todo o Acampamento Farroupilha 2012 no Harmonia.

Após a re-anexação da República Rio-Grandense com o império brasileiro seus símbolos eram lembrados apenas extra-oficialmente. A bandeira acabou tornando-se retangular, e incorporando o brasão de armas, que tinha sido inspirado em um painel alegórico do Padre Hildebrando.

Com a proclamação da República no Brasil, nossa Constituição Estadual de 1891 estabeleceu o seguinte: São insígnias oficiais do Estado as do Pavilhão Tricolor da malograda República Rio-Grandense.

Entre os anos de 1937 e 1945 a federação vivia o Estado Novo, período em que todas as bandeiras estaduais foram revogadas. Após a “redemocratização”, a Constituição Estadual de 1947 estabeleceu: O Estado terá como insígnia oficial o Pavilhão Tricolor da República de Piratini.

Nunca saberemos se este erro foi intencional ou não, já que a nomenclatura correta seria República Rio-Grandense, além de ser um erro estético grosseiro, já que a Bandeira Farrapa era quadrada e sem o brasão de armas que agora estava inserido ao centro da bandeira.

O fato é, que pelo decreto estadual Nº 5.213 de 5 de Janeiro de 1966, a Bandeira do Rio Grande do Sul foi oficialmente definida. Bandeira essa que até hoje utilizamos com muito orgulho em todas as manifestações do povo Rio-Grandense, inclusive em nossa casa, o Olímpico Monumental!

 

Gabriel Tessis
@bagual35
Patrão do Piquete Grêmio do Prata

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1 – Extraído do Livro: História da Grande Revolução de Alfredo Varela – 1933

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2 respostas a “O surgimento de um símbolo”

  • Buenas Édson, aquela bandeira do Piquete quem fez para nós foi a Ana, mulher do Marcelo. Eu passei as medidas e ela confeccionou. Apenas assim tu vai conseguir uma hoje em dia. Infelizmente a grande maioria do povo nem conhece mais o modelo original da bandeira da República Rio-Grandense.

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