Seguimos com o quarto texto, de um total de sete, da série de homenagens ao Olímpico Monumental. Temos o prazer de apresentar um relato do integrante Marcelo Paludo. Um narrativa emocionada, orgulhosa e, ao mesmo tempo, triste.

Estaremos sempre contigo, Monumental!

Olímpico Monumental, meu grande amigo, que não poderia morar em outro lugar que não fosse o Largo dos Campeões. Nos conhecemos no já longínquo inicio dos anos 70, eu levado pela mão de meu pai. Fiquei admirado e impressionado, até hoje a lembrança daquela imagem não sai de minha mente. Em 77, com 11 anos de idade, aprendi a pegar o ônibus sozinho e iniciamos nossa grande amizade que dura até hoje. Eu um guri, ainda crescendo, e tu também ainda não tinha crescido totalmente, ainda não eras O MONUMENTAL, não tinhas o anel superior. Foi mágico ver o time do meu coração ser campeão pela primeira vez com um golaço do André Catimba, invadir o campo no final do jogo por meio das pontes improvisadas com as placas de publicidade colocadas pelos torcedores e pisar no teu gramado. Bons tempos do romantismo no futebol.

Foi no teu pátio que tentei realizar o sonho de todo guri de ser um craque de futebol e ter a honra de vestir o manto sagrado tricolor. Foi na pista atlética que assisti meu heróis de infância jogarem, eu todo faceiro me achando parte do espetáculo como gandula.

Logo vieram os anos 80, crescemos juntos. Tu viraste o Olímpico Monumental e vimos nosso Grêmio ganhar todos os títulos possíveis para um clube de futebol. Ainda me arrepio de lembrar do maior craque do futebol mundial, Renato “muy mejor que pelé” Portaluppi, conseguir um cruzamento impossível e do Cesar mergulhar no espaço para marcar o maior gol que assisti de tuas arquibancadas. Aquele gol nos levou a provar no final do ano, ao mundo inteiro, que Yuri Gagarin tinha realmente razão, a Terra é Azul!

Nos anos 90 teu concreto recebeu as minhas lágrimas ao ver nosso Imortal descer ao inferno. Mas, juntos, voltamos e enlouquecemos com aquele time que sabia honrar nosso ideal farrapo de um povo forte, aguerrido e bravo. Time de viradas improváveis e de vitórias impossíveis, que nunca vendia barato uma derrota. Novamente provamos todas as glórias possíveis a um clube de futebol, bem, quase todas, fomos roubados no Japão com aquela expulsão escandalosa do Rivarola, não foi nem falta. Aprendi a ser mais gaúcho.

Entrou o novo milênio e nossa amizade não diminuiu, nosso Grêmio foi infectado pelo vírus do conformismo, pelo vírus do quase e pelo vírus do se contentar em brigar por vagas. Amargamos mais uma visita ao inferno, esperamos que seja a última, se bem que, vou confessar, eu gostava muito daqueles jogos de muita transpiração e pouca inspiração da B, casa cheia e torcida enlouquecida. Foi fantástica aquela louca sinergia time/torcida, principalmente, do ano de 2007. Tu suportaste em todos estes anos meus pulos, chutes, socos, gritos… Sem nunca reclamar ou revidar.

35 anos se passaram, é uma vida, uma amizade que nunca ninguém poderia abalar. Agora chegou a hora de nos despedirmos, chegou a vez do futebol “profissionalizado”, “modernizado”, “mercantilizado”, “elitizado”… e tu, meu irmão, não tens vez neste novo mundo, para falar a verdade, não sei se eu tenho. Dói pensar que não estarás aqui para nos abraçar, proteger e acolher nas próximas conquistas. Dói pensar que uma amizade assim tem que terminar. Dói saber que não será no teu gramado que traremos nosso Grêmio de volta para suas origens e vocação de time Copero Y Peleador.

Estarás para sempre na minha memória e coração…

Marcelo Paludo

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4 respostas a “4/7: “A Terra é Azul!””

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