O Estádio Mário Filho, o Maracanã (Rio de Janeiro), foi inaugurado em 1950 e tornou-se palco de um dos capítulos mais trágicos do futebol brasileiro: o “Maracanazo” protagonizado por Brasil e Uruguai em 16 de Julho daquele ano (Uruguai 2×1). O franco favorito afundou diante do quadro Cisplatino e sua legendária camiseta azul celeste. Passaram-se 4 meses e no 15 de Novembro, dia de seu aniversário, o Flamengo recebeu o Tricolor Gaúcho para uma partida histórica, isto é, PELA PRIMEIRA VEZ, UM CLUBE DE FORA DO RIO DE JANEIRO pisaria o gramado do “Colosso de Cimento” como era chamado o novo estádio.

Com arbitragem inglesa de Mister George Dyckens, os times subiram as escadarias e em seguida, uma surpresa! O Grêmio vinha sem a tradicional camiseta de listras verticais, mas com a reserva azul celeste tal qual a recém-campeã do Mundo, Seleção Uruguaia (O Grêmio usou a camisa celeste na conquista do título de 1949). Na equipe rubro-negra, um grande jogador do Grêmio até o ano anterior; Hermes Nunes da Conceição.

A partida finalizou com o placar favorável ao Campeão Gaúcho de 1949: 3 a 1; assim movimentado: Aos 19 minutos, Geada abriu o marcador, aos 36, Washington empatou, 1 minuto após, Geada colocaria o Tricolor à frente, se não fosse o erro de arbitragem que anulou o tento legal. Não adiantou muito, pois aos 43, o mesmo Geada desviou do arqueiro Cláudio e Juvenal salvou na linha fatal, defendendo com a mão. Pênalti. Clori, que entrara há pouco tempo, bateu e definiu o resultado na fase inicial. Aliás, o ingresso dele ocorreu tão cedo, porque o violento lateral Bigode, lesionou gravemente o meia-atacante Gita, que ficara “praticamente inutilizado para o futebol”, conforme o texto do Jornal Correio do Povo de 17/11/1950. O jornalista chega a acusar o lateral de ser omisso na final do Mundial, quando se “acovardou” à frente de Obdúlio Varela, lendário capitão da Celeste e agora com a permissividade do juiz, batia à vontade. Prossegue a revolta do jornalista, afirmando que o atleta Gita era de família pobre; jogava futebol profissionalmente para pagar seus estudos e de seu irmão menor no Instituto Porto Alegre (IPA). Encerrou, dizendo que “Bigode era um caso de polícia”.

No segundo tempo, a superioridade do Campeão Gaúcho de 1949 foi tão grande que os atacantes chegaram a fazer a zaga flamenguista “dançar a conga” (expressão da matéria do Correio do Povo). Aos 43 minutos, Ballejo definiu o placar, quando recebeu de Clori, após um arremate potente desferido por Pedrinho que obrigou o goleiro Garcia a soltar a pelota.

Os destaques foram Clarel e Geada, o cerebral atacante, além do jovem Sarará, egresso do quadro dos aspirantes. Os times formaram da seguinte maneira: Grêmio de Sérgio; Clarel e Joni; Hugo, Sarará e Heitor; Ballejo, Gita (Clori, depois Dirceu), Geada, Pedrinho e Gorrion; Técnico: Otto Pedro Bumbel. O Flamengo de Cláudio (Garcia); Gago (Osvaldo) e Juvenal; Nélio, Dequinha e Bigode; Harry, Hermes, Washington, Hélio e Esquerdinha (Eliezer); Técnico: Candido de Oliveira.

Como curiosidades da partida, temos a presença de dois atletas que jogaram a fatídica  decisão da Copa do Mundo e se envolveram no gol de Ghiggia, Juvenal e Bigode, além de Hermes enfrentando o seu clube de coração. Segundo o historiador do Grêmio, Raimundo Bordin (falecido em 2008), Ballejo marcou o gol de número 3.000 da história do Grêmio e por fim, o Tricolor, além de ser o primeiro clube de fora do Rio a jogar no Maracanã, também se tornou o PRIMEIRO VITORIOSO. E claro, foi uma das maiores vitórias da história do Grêmio. No Maracanã, o Grêmio perdeu pela primeira vez em 1969 (Flu 2×1) e para o Flamengo foi perder a primeira no em 1974.

Jornal do Sports (Rio de Janeiro): “O GRÊMIO BATEU O FLAMENGO À BASE DE BOM FOOTBALL

 

Daison Sant’Anna

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