Nosso 10 é o 5

china 1

O ano de 1983 foi marcante para o Grêmio. Muitas vitórias, batalhas, grandes partidas, boas lembranças; uma delas, a vitória sobre o Bolívar por 2×1, de virada, em La Paz, numa sexta-feira, dia 25 de março. A segunda vitória do Grêmio na Libertadores 83 foi histórica. O Tricolor encarou a altitude de 3.300 metros acima do nível do mar da capital boliviana. Esse foi uma enfrentamento na fase de grupos da Libertadores que o Tricolor conquistou pela primeira vez. Tudo indicava que o Grêmio, à exemplo de tantos outros clubes, iria se dar mal naquelas alturas.

Primeiro tempo, o Tricolor encolhido, depois de três importantes defesas do goleiro Remi. Aos 34 minutos, Gallo chutou de longe e o goleiro Gremista “bateu roupa”, soltando a pelota nos pés do zagueiro Navarro, que empurrou para as redes. Bolivar 1 x 0. Fim da etapa inicial. No segundo tempo, o Grêmio melhorou. Aos 20 minutos, Valdir Espinosa saca César e coloca Tarciso. O time fica mais confiante, 1 minuto depois, Casemiro cruzou uma bola da esquerda para a cabeça de Osvaldo, que testou de cima para baixo e enganou o arqueiro Elso. 1 a 1. Fantástico! Pela torcida do Grêmio, o jogo terminaria ali. Quando a partida se encaminhava para a parte derradeira, nova troca de passes perfeita, capitaneada pelo craque da camisa 10, Tita; este atrasa para China (camisa 5), o volante domina, dá alguns passos e solta um foguete no ângulo direito superior do goleiro. Um golaço! Histórico! Sensacional (como narrou Haroldo de Souza pela Rádio Gaúcha): 2 a 1.

Ali, o Grêmio ainda não estava formatado definitivamente, porém, havia alguma coisa mágica no ar, algo positivamente diferente.

**Manchete da Contracapa do Jornal ZH (sexta-feira, 25/março/1983: Bolívar está prometendo jogo duro – “EM LA PAZ, UMA NOITE DIFÍCIL PARA O GRÊMIO” – O campeão boliviano, que massacrou o Blooming com seis gols, é o perigoso adversário que o Grêmio enfrenta, hoje, em La Paz. O time gaúcho se preparou para este confronto, que tem na altitude outro fator de desequílibrio. O canal 12 vai transmitir ao vivo.

**Jornal Zero Hora – p. 44: “A difícil noite do Grêmio nas alturas de La Paz” – Os desafios são o futebol do Bolívar e a altitude de La Paz. Tonho volta à ponta-esquerda e China terá uma nova função tática.

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JOGO 15

BOLÍVAR (Bolívia)  1 X 2  GRÊMIO

Competição: Copa Libertadores da América/Primeira Fase – Grupo 2 – 1º Turno

Data: sexta-feira, 25/março/1983

Horário: 21h30min

Local: Estádio Hernando Siles, La Paz (Bolívia)

Árbitro: Ernesto Filippi (Uruguai)

Público: 30 000 (Revista Placar)

Bolívar: Elso; Vargas, Navarro, Urizar e Arias (Figueroa – 2ºT); Angulo, Gallo e Romero; Borja, Silva (Baldessari – 2ºT) e Salinas; Técnico: Ramiro Blacut

*Obs.: O Bolívar era o atual Campeão Boliviano (1982).

Grêmio: Remi; Silmar, Leandro, De León e Casemiro; China, Osvaldo e Tita; Renato, César (Tarciso – 20 do 2ºT) e Tonho (Bonamigo – 30 do 2ºT); Técnico: Valdir Espinosa

Gols: Navarro 34 do 1º tempo; Osvaldo 21 e China 37 do 2º tempo

**Capa da Folha da Tarde: Osvaldo e China marcaram os gols históricos – “GRÊMIO, REAÇÃO E VITÓRIA ESPETACULAR”

**Folha da Tarde – p. 65: “O futebol do Grêmio superou a vantagem dos bolivianos”

***Copa Libertadores – Grupo 2: 1º) Grêmio, 5 pontos (3 jogos); 2º) Bolívar, 2 pontos (2 jogos); 3º) Flamengo, 1 (1 jogo) e 4º) Blooming, zero (2 jogos).

**Jornal Zero Hora – LIBERTADORES – 2 x 1 – “Virada em La Paz e o Grêmio traz 4 pontos” – A vitória do Grêmio sobre o Bolívar se definiu no segundo tempo. A posição gremista fica muito boa.

**Jornal Zero Hora – p. 36: “Grêmio ganha de virada do Bolívar em La Paz” – Volta com mais quatro pontos ganhos e líder isolado do Grupo 2 da Libertadores.

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*Jornal Zero Hora (segunda-feira, 28/março/1983) – p. 44: “Uma grande festa na chegada” –

Mesmo sendo sábado à noite, muita gente deixou de lado outros programas e foi ao Aeroporto Salgado Filho receber a delegação gremista que vinha da Bolívia com um aproveitamento de 100% na Taça Libertadores da América, após as vitórias de 2 a 0 sobre o Blooming e 2 a 1 no Bolívar. Havia um barulho fora do comum nos tradicionais salões silenciosos, principalmente nas noites de fim de semana. Charangas, cornetas, gritos de guerra, bandeiras tricolores, faixas e muito confete foram levas pelos torcedores, que saudavam cada jogador que passava pela porta de desembarque. O mais festejado foi China, por causa de seu gol de desempate. Cansados, mas sempre alegres e dispostos a dar autógrafos e festejar a vitória, os jogadores tratavam de ir para casa, descansar. E pelas avenidas Farrapos e Castelo Branco houve uma procissão de buzinas e gente gritando o nome do Grêmio.

*Página 45: “China virou herói da torcida”

— Ei, ei, ei, o China é o nosso rei!

O coro foi repetido pelas torcidas organizadas do Grêmio no Aeroporto Salgado Filho à noite, desde o momento em que o painel do aeroporto acusava a chegada do vôo 434, de São Paulo. Havia ao menos uns 300 torcedores em festa no saguão, mas a maioria estava preocupada em homenagear o autor do gol de fora da área que deu a vitória ao Grêmio sobre o Bolívar, em La Paz. E o centromédio, que nunca tinha visto tanta alegria ao seu redor, explicou a todo o momento como conseguiu acertar o chute “milagroso”:

— Parece que o pessoal quer que eu bata de novo naquela bola. Eu apenas chutei, faço isso muitas vez em todos os jogos, nos treinamentos e, desta vez, acertei. Mas não sei dar a fórmula do sucesso.

Daison Sant’Anna

One Response to Nosso 10 é o 5

  1. Edison Patta disse:

    Por mais que a gente saiba da nossa história… sempre é importante relembrar o passado. Vamos Grêmio!!!!!

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