O Grêmio do Prata, no exercício da tradição e do trabalho em equipe, desfralada a bandeira tricolor no Parque Harmonia, marcando sua presença no evento que promove a cultura gaúcha.  

A Patronagem do Piquete do Grêmio do Prata convida a todos para confraternizarem no Harmonia, chegando-se ao Lote n.º 128, ao lado do Piquete CTG Tricolor dos Pampas. A barbada é entrar pelo portão 8 e quebrar na 2º rua a direita. Levem suas famílias e amigos.  No local o público encontrará:  as novas camisetas do Grêmio do Prata; adesivos do Índio (só o índio com o fundo transparente), bottons, e material gráfico.O Piquete do Grêmio do Prata será a sede do movimento até o dia 20/09, venha confraternizar, conversar e contribuir.
Vamos Movimentar o Piquete do Grêmio do Prata!!  

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Fotos de Fernando Dandrea
Foto Camila Hoffmann

  

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2 respostas a “Piquete do Grêmio do Prata”

  • Hermano!!!

    Autoria: Jayme Caetano Braun

    Seu nome – nunca se soube,
    nem ele mesmo sabia.
    Numa noite muito fria
    deu ô de casa na estância.
    Vinha de longa distância
    dos fundos da noite grande,
    mas nos galpões do Rio Grande
    isso tem pouca importância.

    Ninguém lhe perguntou nome
    nem lugar de procedência
    que vinha de outra querência
    se via no sufragante,
    um buenas noites vibrante
    de campeira fidalguia
    e a galponeira franquia:
    – … Apeie… e chegue pra diante!

    O chapéu com barbicacho,
    negra e comprida melena,
    pele queimada, morena
    sem luxos na vestimenta,
    bombacha de brim – cinzenta,
    adaga e faca à cintura
    e um olhar misto ternura
    com lampejos de tormenta.

    Mi nombre es Hermano, hermanos
    disse – enquanto chimarreava
    à peonada que escutava
    mui atenta – por sinal,
    e no mesmo tom casual,
    palmeando a cuia de mate,
    afirmou como arremate:
    – Soy de la banda Oriental!

    Desde essa noite o Hermano
    ficou na estância – ajudando,
    que o índio que anda cruzando
    não se ajusta como peão,
    vai ficando no galpão
    – a velha casa reiúna –
    onde os párias sem fortuna
    buscam calor de fogão.

    Sempre alegre e prestativo,
    naquele meio dialeto,
    era um gaúcho completo,
    de ação pronta e destorcida,
    demonstrando em qualquer lida
    que era desses campechanos
    que já nasceram vaqueanos
    dos mil atalhos da vida.

    Depois que se enforquilhava
    no seu basto castelhano
    nem o bagual mais tirano
    sacava o índio dali.
    Aos gritos de ibi-bi-bi,
    ia surrando cruzado
    pulando mais que dourado
    nas enchentes do Ibicuí!

    Cantava uma flor de truco,
    à velha moda gaúcha
    e num jardeio – qüe pucha,
    sempre saía primeiro,
    corredor mui tarimbeiro,
    desses com sete sentidos
    que até parecem nascidos
    nas cruzes do parelheiro.

    Laçava… e como laçava,
    de a pé como de a cavalo,
    tanto fazia no pealo,
    ser sobre-lombo ou cucharra;
    companheiro numa farra
    dos que não refugam nada
    e que mão aveludada
    pra pontear uma guitarra.

    Quando cantava se via
    naquele olhar machucado
    o pensamento empacado
    nalguma reminiscência,
    talvez a velha querência
    longe na barra pampeana…
    talvez alguma paisana
    desgarronada na ausência…

    Numa milonga macia,
    numa cifra – num estilo
    nunca se viu como aquilo
    tamanha fidelidade,
    ora olfateando saudade
    numa nostalgia langue;
    ora farejando sangue
    num berro de liberdade.

    Quando os dedos se perdiam
    entre a quarta e a bordona
    pareciam vir à tona
    barbarescsa ressonâncias,
    clarins furando distâncias
    num último chamamento
    e laços cortando ventos
    no amanhecer das estâncias.

    Depois amaciava o tranco
    com patas aveludadas
    e evocava madrugadas
    com luas e meias-luas;
    pôr-de-sóis nas pampas nuas
    com romances proibidos
    nos pelegos estendidos
    para divãs das chiruas!

    Sábado encilhava o baio
    rumbeando aos ranchos da estrada,
    beber ternura comprada,
    onde os párias vão beber,
    pois nesse meio viver,
    o índio sem parador,
    nunca encontra o bebedor
    da sanga do bem querer.

    Foi num Domingo de tarde,
    ao retornar de uma andança,
    a noite caía mansa
    e o paisano vinha sério,
    o pensamento gaudério
    perdido longe… distante,
    sem saber que, logo adiante,
    ia enfrentar o mistério.

    Quando embicava no passo
    que faz fundo na invernada,
    já na boca da picada,
    o baio parou-se um gato,
    bufou com espalhafato,
    como prevendo tragédia,
    o índio bancou na rédea,
    já meio dentro do mato.

    Ouviu um – morre bandido
    dos covardes, de emboscada,
    já na primeira trovoada
    planchou-se o baio cabano.
    Baleado embora, o Hermano,
    ao se apartar do lombilho
    vinha puxando gatilho
    dum trinta e oito orelhano.

    Seis tiros dados no rumo
    e um alarido de morte.
    Depois, a sangueira forte
    e um frio que vinha do miolo
    mas o índio era crioulo,
    teve um sorriso esquisito:
    – não ia morrer solito,
    pra o taura, é sempre um consolo.

    E ajoelhado, atrás do baio,
    parceiro de mil jornadas,
    já de pupilas vidradas
    pela morte repentina,
    passou-lhe a mão pela crina,
    como quem nana criança
    e um arrepio de vingança
    escureceu-lhe a retina.

    Com três ou quatro balaços
    bordando a pele morena,
    nem ouvia a cantinela
    e o fogonear dos balaços,
    meio de arrasto – c’os braços,
    rumbeou para o tiroteio:
    – galo fino – no careio,
    coloreando de puaços…

    Era um gaúcho Oriental
    e um Oriental não recua,
    honra a tradição charrua
    e nem a morte o abala,
    no próprio sangue resvala
    mas segue no mesmo tranco,
    agora, de ferro-branco,
    porque jã não tem mais bala.

    Sente que a vista falta
    e uma bárbara dormência,
    mas resta-lhe uma incumbência
    nessa noite de Domingo,
    se entrevera e – no respingo,
    mete a adaga em carne humana,
    gritando em voz insana:
    – esta les doy por mi pingo!

    Com vinte e tantos balaços,
    escoriações e facadas,
    as roupas esburacadas,
    já cego – e peleando aos gritos,
    como a confirmar os gritos
    dalgum Confúncio campeiro:
    – Covarde morre ligeiro,
    o taura, morre aos pouquitos.

    Três mortos – mais o Hermano
    e o baio – morto encilhado,
    não foi identificado
    nem um só daquele trio,
    o restante, se sumiu,
    na imensidade campeira,
    deixando apenas sangüeira
    e o choro do vento frio.

    Nunca se soube o motivo
    daquela barbaridade,
    nem a própria autoridade
    nem gente da vizinhança.
    Foi com certeza, vingança,
    feita por gente mandada.
    Restam na velha picada
    quatro cruzes por lembrança.

    Seus nomes nunca se soube,
    três cruzes sem inscrição
    defronte – noutro munchão,
    uma cruz tem nome: Hermano.
    Descansa nela o paisano
    que usava melena preta,
    um poncho azul de baeta,
    montava um baio cabano.

    E lá está a cruz de pau ferro
    palanqueando o castelhano,
    último adeus do Hermano,
    na tarde triste e cinzenta,
    ao ver a cruz – representa
    que a gente vê – na lonjura,
    seu olhar, misto ternura,
    com lampejos de tormenta.

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