Que todo torcedor Gremista tem seu time ideal não é nenhuma novidade, afinal de contas somos mais de 7 milhões e 700 mil tricolores espalhados por essas plagas. Porém mesmo divergindo na escalação e formação tática ideal a grande maioria acaba concordando em um ponto: A origem de nossos jogadores.

Alguns afirmam ter a equação ideal, usando como base os times vencedores ao longo de nossa história. Dizem que precisamos entre 4 ou 5 jogadores vindos da base1, de 1 a 2 jogadores vindos do mercosul², e os restantes oriundos de regiões situadas ao norte do Rio Mampituba. Isto sem falar no treinador, em que a grande maioria prefere alguém nascido e criado no Rio Grande.

Percebam que com esse time teríamos pelo menos metade dos jogadores Gaúchos³!

Agora tu deves te perguntar: Qual a diferença destes indivíduos para o restante dos habitantes da América do Sul?

Bueno, para entendermos o nosso presente e conseguirmos projetar nosso futuro necessariamente precisamos conhecer nosso passado. Por isso peço que voltemos ao estudo de nossa civilização.

O termo Gaúcho vem da corruptela “guacho”, provindo do quíncha “huachu”, que significa órfão. Os espanhóis que aqui desembarcaram e resolveram ficar nos Pampas, não retornando a sua terra natal, acabaram recebendo a alcunha de “Mozos Perdidos”. Da “integração” entre estes espanhóis e as índias que habitavam nossos pagos surgiram os primeiros mestiços, filhos de várias culturas, mas de um só lugar. O Pampa. Estes, que eram chamados de “amantes da liberdade” ou “filhos do continente” começaram a povoar o Rio Grande a Argentina e o Uruguai.

Com o passar dos anos os novos exploradores espanhóis e portugueses que chegavam por aqui acabavam adotando os hábitos, costumes e indumentárias deste povo recém formado.

Nasce aí o Gaúcho como povo predominante destas terras. Tornando-se maioria inclusive na capital Rio-Grandense, Argentina e Uruguaia. Por isso podemos afirmar que a etnia gaúcha independe do idioma.

Mesmo assim o termo Gaúcho ainda recebia uma conotação negativa, utilizado apenas para difamar os habitantes pampeanos.

Toda essa amargura contra o nosso povo só foi atenuada com a chegada das primeiras gerações de imigrantes, principalmente alemães e italianos, ao hoje estado do Rio Grande do Sul. Os novos habitantes mesmo mantendo as tradições de suas terras natais começaram a se adaptar aos hábitos e costumes locais, e inclusive, se auto-proclamando “Gaúchos”.

Feito este rápido resgate de nosso passado podemos voltar a falar sobre o Grêmio.

Agora fica mais fácil entender porque os times vencedores na história do nosso Imortal sempre tiveram em seu elenco jogadores vindos destes pagos.

Está arraigado em nosso sangue esse sentimento de luta de perseverança. E para levantar os mais importantes canecos o Tricolor dos Pampas necessita de jogadores que lutem até o final, de jogadores que saibam quem é o Grêmio e o peso que esta camiseta tem.

Como diria o trapo que geralmente se encontra na Geral: “Se somos assim não é por acaso”.

Gabriel Tessis

Créditos da foto: www.ducker.com.br

1-Jogadores nascidos nos Rio Grande do Sul ou que integram as categorias de base ao ponto de conhecerem a cultura “Gremista Rio-Grandense”.

2-Os chamados Castelhanos.

3-O termo Gaúcho ou Gaucho é uma designação ao habitante das regiões hoje compreendidas como Argentina, Rio Grande do Sul e Uruguai.

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2 respostas a “Se somos assim, não é por acaso.”

  • grande texto Gabriel! [2]
    Sim, se somos assim não é por acaso, mas infelizmente as diversas direções de futebol que passam pelo nosso tricolor seguem esquecendo as nossas origens e ignorando o que nos fez ser o que somos.
    Desde 95 que não temos um time formado nesses moldes:
    formado em sua maioria por gaúchos, com jogadores de defesa vindo do mercosul, técnico gaúcho, etc.
    Nao é por acaso que desde 95 não ganhamos uma Libertadores.

    E da-le CELESTE!

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